IGA apresenta projeto de transporte escolar no 30º Congresso da Associação Mineira de Municípios
A ideia do projeto também é oferecer aos alunos rotas mais curtas e com mais segurança
08/05/2013 - Foto: Ascom/SEE
Sistema acessível pela internet vai facilitar a definição das rotas usadas nos deslocamentos dos alunos da rede pública
O trabalho e a contribuição do Instituto de Geociências Aplicadas (IGA) em um projeto que fará o diagnóstico do transporte escolar na área rural de Minas Gerais foram apresentados pela diretora-geral da entidade, Cláudia Werneck, no dia 7 de maio, durante o 30º Congresso da Associação Mineira de Municípios (AMM), realizado no Expominas, em Belo Horizonte. O estudo, coordenado pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem como parceiros o IGA e a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e será uma ferramenta de gestão para auxiliar as prefeituras na definição de rotas entre as residências dos alunos até as escolas.
Por meio desse diagnóstico, os pesquisadores vão obter a localização georreferenciada de cada um dos estudantes da rede pública, de suas escolas e, assim, determinar por onde será feito o deslocamento. Esses dados ficarão disponíveis em um sistema digital, o Sistema de Informações Geográficas (SIG), que vai ajudar prefeitos a conhecer melhor a realidade do transporte escolar em suas regiões e orientar a SEE sobre quais são os investimentos necessários para otimizar rotas, quais os veículos mais adaptados a cada região e sobre o cálculo de custeio mais adequado para cada município.
Para identificar a localização dos alunos, dos estabelecimentos de ensino e das estradas disponíveis para o transporte escolar, o sistema utiliza a base cartográfica do IGA, mas também será necessário fazer visitas a todos os municípios para identificar os traçados. Inicialmente, o estudo abrange 250 municípios que servirão de modelo para a implantação do sistema em todo o Estado.
A partir do sistema será possível atuar em três frentes no intuito de melhorar o transporte escolar em Minas. A primeira é a otimização das rotas, uma vez que, conhecendo melhor os caminhos será possível determinar se o percurso utilizado é, de fato, o mais adequado para cada região. Será possível, também, definir o custo por aluno conforme a realidade de cada município. O terceiro ponto diz respeito à frota, determinando os veículos mais apropriados para os trajetos.
Finalizado o projeto, todos os dados ficarão disponibilizados como produto em um site público, acessível pela internet. Esse site contém imagens em 3D de Minas Gerais disponíveis no software Google Earth Enterprise. A partir desse sistema, cada prefeito poderá acessar o chamado Geoportal MG3D, desenvolvido pelo IGA, com seu login e senha e, junto com os gestores municipais e os prestadores de serviços, fazer o estudo dos trechos.
Segundo Cláudia Werneck, a informação espacial é decisiva na tomada de decisões de forma mais eficiente e já faz parte da moderna administração pública de Minas Gerais. “O IGA faz a auditoria dos dados cartográficos. Nesse processo que estamos começando agora, quando recebermos das prefeituras uma informação específica vamos analisar os dados, de acordo com critérios técnicos. Uma vez auditadas, essas informações se transformam num dado oficial a ser disponibilizado para as instituições públicas. Além disso, existe também um geocodificador, que é um sistema que transforma um endereço em um pontinho no mapa. Por fim, associamos todas essas informações que serão visualizadas no Geoportal”, explica a diretora-geral do IGA.
Credenciamento
Durante o congresso da AMM, os prefeitos ou seus representantes puderam se credenciar e receber o login e senha para já acessar o site: www.educacao.mg.gov.br/transporteescolar.
IGA participa de projeto para estudo das rotas de transporte escolar nas áreas rurais de MG
Visualização 3D do sistema: desafio é identificar os trechos considerados particulares
03/05/2013 - Foto: Ascom/SEE
Base cartográfica dos 853 municípios será usada para identificar a localização dos alunos, das escolas e dos trechos rodoviários
O Instituto de Geociências Aplicadas (IGA), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e a Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), participa de um projeto para estudo e identificação das rotas de transporte escolar nas áreas rurais de Minas Gerais. Logo que for concluído o trabalho inédito no país, o Estado terá, entre outras ferramentas, um Sistema de Informações Geográficas (SIG) com a localização georreferenciada das escolas e de cada um dos alunos da rede pública, com a rota estabelecida para o deslocamento dos estudantes, o que vai garantir amplo acesso de todas as crianças e adolescentes do meio rural aos estabelecimentos de ensino.
Inicialmente, o estudo abrange 250 municípios que servirão de modelo para a implantação do sistema em todo o Estado. Com a base cartográfica que o IGA já dispõe de todo o território mineiro, serão associadas as informações de cada uma das escolas e de seus respectivos alunos. Outro banco de dados importante neste projeto é o de cadastro das rodovias federais, estaduais e municipais a serem utilizadas nas rotinas do transporte escolar.
Quando finalizado, o projeto, viabilizado por meio de um convênio com a Fundação Christiano Ottoni, vai gerar como produto um site público, acessível pela internet, que contém imagens em 3D de Minas Gerais disponíveis no software Google Earth Enterprise. Assim, cada prefeito poderá acessar o chamado Geoportal MG3D com seu login e senha e, junto com os gestores municipais e os prestadores de serviços, fazer o estudo dos trechos para a definição da melhor rota a ser percorrida naquele município.
A diretora geral do IGA, Cláudia Werneck, aponta que o principal desafio é fazer o levantamento, georreferenciado, dos trechos rodoviários necessários para levar todos os alunos residentes na área rural até as escolas onde estão matriculados e retornar ao final do período. Esses trechos só estão sistematizados para as BRs e as MGs, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), respectivamente.
Os demais trechos são constituídos por dois tipos: o Sistema Rodoviário Municipal (SRM), mantido pelas prefeituras, e os particulares (não públicos) que dão acesso a fazendas, assentamentos e outros locais de moradia de alunos. “Vamos contar com o DER que está identificando os SRMs, a partir das informações que os municípios homologam junto a sua instituição, além das próprias prefeituras. O IGA também está complementando os trechos que não são públicos, mas que farão parte da malha necessária que ainda estiver faltando”, explica Cláudia Werneck.
Depois de levantados os trechos, esses percursos serão transformados em uma malha, topologicamente conectada. “Isto significa que cada trecho deve estar cortado em todas as possibilidades de escolha de uma rota. É sobre essa malha que será aplicada a metodologia para determinação das rotas a ser elaborada pelo Departamento de Transportes da Escola de Engenharia da UFMG”, completa a diretora do IGA.
Análise espacial
Segundo o professor da UFMG Marcelo Franco Porto, subcoordenador do projeto, este é o estudo mais abrangente sobre transporte escolar feito no país e poderá ser implantado em todo o Brasil. Ele afirma que, muitas vezes, o estabelecimento das rotas é feito de forma intuitiva entre a prefeitura e os prestadores de serviços. “Todo este trabalho é baseado na análise espacial, basicamente a informação de onde o aluno está e onde está localizada a escola. Hoje, não existe um sistema que permita a associação dessas informações de forma conjunta e que sejam visualizadas em uma base cartográfica atualizada”, comenta o professor.
Para ele, este trabalho de parceria entre a Escola de Engenharia, o IGA e a SEE poderá ser usado de forma perene e consiste num excelente sistema de gestão. “Como a plataforma vai ficar no IGA, será possível, de tempos em tempos, fazermos a atualização no sistema e propor novas rotas, tendo em vista que a cada ano entram e saem alunos da rede pública. O importante é que as bases cartográficas já vão estar prontas, assim como a metodologia para especificar as rotas”, diz.
A secretária de Educação, Ana Lúcia Gazzola, acredita que 100% dos municípios mineiros vão aderir ao projeto, já que o sistema georreferenciado será um “instrumento espetacular” no auxílio das prefeituras. Ela também ressaltou a alta qualidade técnica do IGA, ao justificar a permanência dos dados gerados no projeto dentro da instituição. “Governos passam, mas o IGA continua. É importante que um projeto como este se enraíze”, destaca.
IGA faz pregão eletrônico para mapear Região Metropolitana de Belo Horizonte
Empresa vencedora fará a ortorretificação das aerofotos e o Modelo Digital de Superfície
O Instituto de Geociências Aplicadas (IGA) realizou nesta quarta-feira, dia 17 de abril, o pregão eletrônico para registro de preços, referente à prestação de serviços de engenharia cartográfica e apoio de campo em área de 15.000 km² que abrange a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e o Colar Metropolitano, incluindo o município de Cachoeira da Prata. Como resultado, a região terá o mapeamento em escala 1:10.000. Será a primeira vez que municípios como Capim Branco, Ibirité e Sete Lagoas vão contar com um mapeamento nessa escala.
O pregão eletrônico foi aberto às 9h e teve como mediador o diretor de Planejamento, Gestão e Finanças da entidade, Adilson Meireles Pacheco, acompanhado pelo pregoeiro suplente, Antônio Carlos da Costa Marinho. As oito empresas participantes enviaram seus lances e todo o processo foi aberto ao público em geral, através do Portal de Compras do governo mineiro (www.compras.mg.gov.br). As propostas dos licitantes foram previamente encaminhadas para o referido portal, com apresentação do preço unitário – por km² - e preço global - 15.000 km².
O edital prevê que a empresa vencedora deverá apresentar Certidão do Acervo Técnico (CAT), emitida pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-MG), dos coordenadores comprovando a execução de serviços com as mesmas características e complexidade tecnológica e operacional exigidas pela licitação. Os serviços previstos são de engenharia cartográfica, apoio de campo, aerotriangulação, ortorretificação e geração do Modelo Digital de Superfície (MDS) para a produção de mapeamento básico digital.
Pesquisador alemão resgata primeira obra sobre geografia e administração de Minas Gerais
A obra é considerada a primeira compilação de registros geográficos e administrativos do Estado
16/04/2013 - Foto: Biblioteca Digital Iberoamericano
Radicado há mais de 45 anos no Estado, o geólogo Friedrich Renger relança estudo responsável por direcionar o planejamento de MG no século XIX
Na obra Noções Geográficas e Administrativas da Província Minas Gerais, de 1862, os contornos de Minas Gerais conhecidos hoje já haviam sido registrados pela cartografia do alemão Henrique Gerber. A serviço da então província, há 150 anos, o engenheiro publicou aquela que é considerada a primeira compilação de registros geográficos, sociais, culturais, econômicos e administrativos do Estado.
Devido à sua relevância histórica e ineditismo, o documento foi reeditado e relançado na última semana na Academia Mineira de Letras (AML), pela Coleção Mineiriana da Fundação João Pinheiro, que é composta por edições atualizadas de livros, estudos e manuscritos inéditos dos séculos XVIII, XIX e XX.
A nova edição da obra, organizada por Friedrich Ewald Renger, geólogo e pesquisador do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reconta uma parte relevante da história mineira de meados do século XIX. “O livro e o mapa foram largamente utilizados em sua época por abordar, de forma concisa, os mais diversos aspectos da geografia e da vida social, econômica e administrativa da província de Minas Gerais”, destaca a coordenadora da Coleção Mineiriana, Maria Marta Araújo.
Admirador do trabalho empreendido pelo seu compatriota, Friedrich Renger resgatou a obra original em uma biblioteca alemã. Após dois anos de consulta a arquivos e relatórios, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e colaboração do Arquivo Público Mineiro e Instituto Cultural Amilcar Martins, que cederam imagens de seus acervos, o estudo foi concluído.
Além do conteúdo original, a reedição é enriquecida por documentos iconográficos e cartográficos, especialmente pela Carta da Província de Minas Gerais. A obra está disponível para venda na Fundação João Pinheiro ao custo de R$ 70,00.
O “mineiro” Friedrich Renger
Radicado em Minas Gerais há mais de 45 anos, Friedrich Renger teve seu primeiro contato com as terras mineiras logo após concluir a graduação, em 1966, na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.
Em 1967, o geólogo ingressou no doutorado, onde estudou a composição do solo e a formação de rochas magmáticas – resultantes da consolidação do magma – na Serra do Espinhaço, conjunto de montanhas, morros e vales com extensão de mais de 1.000 km, entre Ouro Branco (MG) e Xique-Xique (BA).
O trabalho, inédito no Brasil e na Alemanha, rendeu a Friedrich a medalha de ouro por ter apresentado a melhor tese de doutorado em sua faculdade. Em seguida, o alemão se transferiu definitivamente para Minas, onde desenvolveu estudos geológicos para diversas empresas e criou um instituto de pesquisa mineral em Diamantina, que existe até hoje, no Vale do Jequitinhonha.
Em entrevista à Agência Minas, Friedrich Renger fala sobre sua vida, seu interesse pela Serra do Espinhaço e pela geologia e história mineiras. O pesquisador também traz curiosidades sobre a obra lançada pela FJP.
Por que a obra “Noções Geográficas e Administrativas da Província Minas Gerais” pode ser considerada um marco da história mineira?
Porque foi o primeiro estudo dentro de uma visão moderna, com estatísticas, informações sobre importação, exportação e a evolução dos preços dos itens do que chamamos, hoje, de cesta básica. A obra é um resumo da geografia e hidrografia do Estado, revelando picos e altitudes que não eram conhecidos. O autor, Henrique Gerber, também fez um levantamento das estradas e destrinchou toda a administração da província, incluindo os três poderes, as comarcas, os municípios, além da demografia. O estudo é completo e ajudou no planejamento regional da província, sobretudo no sistema de transporte e na divisão administrativa.
Esta definição do desenho do território mineiro foi definitiva?
Depois do estudo de Henrique Gerber, foram feitas algumas adaptações e melhorias. Temos que levar em consideração que, naquela época, devido aos recursos escassos, era mais difícil fazer o levantamento de estradas, por exemplo. Hoje, contamos com recursos aéreos e fotos de satélites. No século XIX, a geografia era determinada com observações astronômicas, sobretudo do Sol, para definir a longitude e latitude de cada ponto.
Quais são os principais aspectos da alta administração abordados pela obra?
Ela traz toda a estrutura da província. Não só a composição dos três poderes, mas como também o sistema de eleições, que era diferente. Na época, elas eram indiretas e o cidadão, para se candidatar, tinha que ter posses, incluindo escravos.
O que motivou o senhor a vir para o Brasil e estudar a Serra do Espinhaço?
Fiz a graduação na Alemanha e depois optei por estudar um tema considerado “exótico” para nós, alemães. Tive a oportunidade de fazer um trabalho de campo na Serra do Espinhaço, cuja geologia era desconhecida até a década de 1970. Passei por Conceição do Mato Dentro, Serra do Cipó e Diamantina, por exemplo. Naquela época, o Brasil, em especial Minas Gerais, oferecia muitas possibilidades em Geologia. Já em Minas, depois também me interessei e especializei no estudo de diamantes.